Poder das cores

Que mulher nunca sonhou em ganhar uma caixinha turquesa, arrematada por uma fita de cetim branca? Ou uma vermelha, com laço escarlate? Nada mal receber também uma na cor laranja, fechada com um nó de gorgorão marrom, não é mesmo? Reconhecidas e desejadas pelas apaixonadas por marcas de luxo, as embalagens têm o poder de alegrar, antes mesmo de descobrirmos o conteúdo delas. Se ao ler você pensou em três marcas específicas – Tiffany, Cartier e Hèrmes – acertou! Vamos então descobrir o que está por trás dessas cores tão cobiçadas?

Tiffany & Co. – azul

Conhecida como azul-turquesa, e também como Tiffany Blue, em 1945, o fundador da marca Charles Lewis Tiffany, escolheu o tom para estampar a capa do Blue Book. O catálogo com a coleção anual de joias feitas a mão seria lançado pela primeira vez e, como a pedra preciosa turquesa estava em alta no século XIX, acredita-se que seja o motivo por ele ter decidido apostar na cor. Além disso, noivas da era vitoriana também costumavam dar aos seus convidados um broche de turquesa em formato de pomba como lembrança de seus casamentos. Quando a empresa apresentou o Tiffany® Setting, seu anel de noivado exclusivo, em 1886, sua embalagem Blue Box tornou-se tão famosa quanto o próprio anel.

Um fato curioso que norteia a história é que pessoas iam até a loja pedindo para comprar as caixas. Em vão, pois Charles se recusava a vendê-las. Em 1906, ele ficou famoso ao dizer para o New York Sun que teria o prazer de dar uma Blue Box sem custo, desde que fosse escolhido um design para colocar dentro dela. 

O sucesso foi tanto que Tiffany Blue tornou-se marca registrada da Tiffany nos Estados Unidos em 1998 e foi padronizada pelo Pantone® Matching System (PMS) para garantir que, em qualquer lugar do mundo, em qualquer meio que a cor fosse reproduzida – seja em uma sacola de compras ou em um anúncio – ela seria instantaneamente reconhecida e seria sempre a mesma. A cor padrão criada pelo PMS para a Tiffany é chamada “1837 Blue”, em homenagem ao ano de fundação da Tiffany & Co.

Hèrmes – laranja

Marca registrada da Hèrmes, a escolha da cor aconteceu de forma acidental. Em 1945, durante o ápice da Segunda Guerra Mundial, muitos materiais tiveram seus estoques zerados e a produção interrompida. Entre eles estavam as caixas na cor creme que eram utilizadas até então pela marca. Com a escassez dos suprimentos, Émile-Maurice Hèrmes precisou recorrer e adotar o único tom disponível: o laranja. Naquela época talvez ele não imaginava que a escolha aleatória se tornaria um símbolo em todas as suas criações.

Atualmente, são produzidas mais de 2,5 milhões de caixas por ano, em 700 formatos – a menor mede 5 cm x 5 cm x 1,5 cm (pensada para abrigar um anel para lenços).  O detalhe final da embalagem fica por conta da fita marrom com logo da carruagem e nome da marca estampadas em tinta branca com efeito alto-relevo. Chamada de ‘bolduc’ (o nome deriva da cidade holandesa de Bois-le-Duc, especialista em aviamentos), a fita é fabricada pelo mesmo produtor há cinquenta anos.

Cartier – vermelho

A Maison adotou a cor vermelha em 1847, no ano de sua fundação. E até os dias de hoje arrancam suspiros das apaixonadas por joias. Nos anos 1920, a caixinha estava tão associada a peças e acessórios deslumbrantes, que apareceu na peça ‘Os Homens Preferem as Loiras’, de Anita Loos, na Broadway. Três décadas depois, o texto serviria de base para o filme homônimo, com Marilyn Monroe cantando ‘Diamonds Are a Girl’s Best Friend’.

A caixa de couro marroquino vermelha é gravada com desenhos dourados. O “estofamento” interno depende da joia: pode ser de cetim de seda branco ou veludo preto – a escolha depende de qual deles valorizará mais a peça. Feitas sob medida, elas contribuem para os altos lances alcançados em leilões e são consideradas parte da joia.

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